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3 de Fevereiro de 2017
Entrevista

Presidente do SICOM analisa momento político e econômico

O ano passado foi extremamente difícil, mas as perspectivas são positivas. Assim o presidente do Sindicato do Comércio da Região de Chapecó (SICOM), Marcos Antonio Barbieri, avalia o período de 2016 e este início de ano. Temas das áreas econômica e política são avaliados pelo dirigente, como a queda nas vendas e as perspectivas para este ano, as reformas anunciadas pelo governo federal, as mudanças na administração pública do país e os desafios nos municípios. 

O ano passado para o comércio

Foi um ano extremamente difícil e de grandes desafios. Quase todos os segmentos tiveram queda nas vendas em geral, o que ficou em torno de 6%. O fator positivo foi o amadurecimento do empresariado em lidar com as adversidades, e nisso foi essencial inovar, cortar custos, replanejar a estratégia e melhorar a gestão.

As perspectivas para 2017

As perspectivas são positivas. Nota-se a melhora na confiança do consumidor, a estabilidade na questão do desemprego, a melhoria na gestão das contas públicas, a queda na taxa de juros e, de maneira gradual, as questões macroeconômicas começam a apresentar sinais de melhora. Nada de euforia como tivemos alguns anos atrás, um crescimento mais lento, mas consistente.

No campo político, o que foi mais importante

O impeachment com certeza foi o marco político de 2016, de maneira democrática e sem o uso da força ou golpe como muitos quiseram rotular. Foi necessária a ruptura do modelo anterior que, claramente, não deu certo. Outro fator marcante foi a presença da Justiça na condenação de políticos e empresários, principalmente na Operação Lava Jato. Acabando com a mística que poderosos não eram punidos e não pegavam cadeia, com certeza foi um divisor de águas na política brasileira.

Medidas anunciadas pelo governo

Foram mais de 50 medidas já adotadas. Entre as que podemos destacar, estão o controle do teto de gastos, a minirreforma trabalhista, a repatriação de recursos externos e a renegociação da dívida dos Estados. No comércio, destaca-se a diferenciação do preço quanto ao pagamento à vista e no cartão. Todas essas medidas significam maior confiança para a classe empresarial e do consumidor e, consequentemente, melhoras da perspectiva econômica.

As reformas trabalhista e previdenciária

Na questão da legislação trabalhista, foi feito o mínimo. Precisamos, ainda, regulamentar a terceirização, flexibilizar o horário de trabalho em algumas atividades, melhorar a questão do critério de contratação do jovem aprendiz, equilibrar empresários e trabalhadores no âmbito da Justiça do Trabalho para acabar com reclamatórias infundadas e estratosféricas, terminar com a justiça gratuita e, consequentemente, a “indústria da reclamatória trabalhista”. Quanto à Previdência, somos totalmente a favor de uma reforma maior, de ampliar a idade mínima para aposentadoria e de equalizar a Previdência Pública, que é infinitamente desigual da privada, tornando-a homogênea para todos, sem privilégios, como diz a Constituição Federal.

O que mais se espera do poder público

Esperamos que os fatos de corrupção revelados, a má gestão do dinheiro público, caixa 2 em campanhas, condenação de políticos e empresários, a venda de sentenças, o Judiciário frágil e tendencioso, tenham servido de lição. Que tenhamos um país mais justo e que, antes de cometer o delito, a pessoa saiba que haverá punição igualitariamente a todos.

Prioridades nas administrações municipais

 Acreditamos que o maior desafio nos municípios é a gestão. Isso inclui a diminuição de cargos comissionados, menos secretarias, maior eficiência nos serviços e fazer mais com menos, além de uma enorme dose de honestidade. Não temos mais espaço para hipocrisia, queremos mais infraestrutura e melhores serviços.

EXTRA COMUNICA - Hugo Paulo de Oliveira - Jornalista/MTb4296RS -  2/02/17