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18 de Dezembro de 2019
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Momento de perspectivas

Fim de ano é o momento quando, normalmente, se faz o balanço do período que passou e estabelecem as expectativas para o ano seguinte. Tivemos um ano de novos governos federal e estaduais e agora temos que pensar no que vem aí, ou no que precisamos almejar. Nesse sentido, é fundamental que se fale na economia, pois é ela que, de uma maneira ou de outra, influencia na vida das pessoas e das empresas. Espera-se, por isso, a retomada efetiva do crescimento econômico, que em 2020 deve ficar na faixa de 2% a 3%, conforme especialistas tem estimado.

Especialmente quanto ao comércio, seu desempenho deverá, no mínimo, acompanhar a expectativa que se tem para o crescimento da economia, pela melhoria do cenário em geral e pela maior oferta de crédito, inclusive dentro da expectativa de concretização de vendas represadas. Esse represamento ocorreu em 2019 em função da espera do novo cenário no País e foi influenciado por fatores como o alto nível de desemprego e da taxa de juros, especialmente no primeiro semestre. Assim, dois motivos, de certa forma, travaram um pouco o saldo positivo: a espera de melhorias na economia no final de 2018 e começo de 2019, que gerou medo de comprar, e a redução das taxas de juros que nem sempre chegou à ponta do consumo. Quanto à possibilidade de algum segmento sair-se melhor, isso deve ocorrer na chamada linha branca, que tem produtos eletrodomésticos de maior valor agregado, como fogão, geladeira, freezer e micro-ondas.

Porém, não basta o empresário debruçar-se na espera de medidas oficiais, até porque elas podem não atender suas demandas. É preciso que ele, então, adote atitudes em sua própria organização. Entre elas, uma das fundamentais é gerenciar a empresa com todo o cuidado possível, dentro da tendência cada vez maior de que as margens de lucratividade sejam menores. Deve, ainda, gerenciar custos e fazer análise cuidadosa quanto ao crédito. Precisa, também, considerar a competição não somente com o vizinho ou no mercado local, mas também com outros players, especialmente a compra online, até porque o consumidor sabe valorizar o comércio local instituído. Porém, o cliente precisa ser sempre bem atendido, e daí vem outra medida que necessita ser constante: capacitar os funcionários. Uma empresa não se trata somente de uma marca, mas em muito é representada por aqueles que estão na linha de frente com o cliente, que necessitam entender do produto e fazer a diferença com máxima atenção na hora da venda.

De parte do governo, sempre há decisões que devem ser tomadas, mesmo que, certamente, já tenha dado bons passos neste 2019. É preciso que continue a agir com vistas a um ambiente competitivo e de melhorias para o setor produtivo e os consumidores. Deve o governo, igualmente, controlar melhor as suas contas e adotar medidas que facilitem o aquecimento do mercado, como fez com a liberação do FGTS e a diminuição do compulsório em 2019, para que mais dinheiro circule. Além disso, é necessário que seja menos intervencionista na iniciativa privada.

Ricardo Urbancic,
presidente em exercício do Sindicato do
Comércio da Região de Chapecó (Sicom)