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9 de Maio de 2019
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Associativismo e resultados para os setores representados

Para muitos empresários ou até determinadas lideranças empresariais, falar sobre “sindicato” é, muitas vezes, proferir palavrão ou abordar o imponderável, quando não se pensa que essa temática é exclusiva de trabalhadores ou que “é custo” desnecessário. Entretanto, precisamos pensar em associativismo e, nesse caso, juntamente com outros tipos de instituições e/ou entidades, um sindicato bem gerido representa instrumento de representação e benefício para a respectiva classe. O mesmo precisa ser considerado em relação às federações e confederações, que devem agir pensadamente quanto aos setores que representam e suas necessidades, nunca com prioridade para seus dirigentes e outros eventuais interesses não legítimos.

Com a adoção da Reforma Trabalhista, que, depois de muitos anos de espera e discussões, passou a ter vigência em 11 de novembro de 2017, pensou-se que os sindicatos, em geral, seriam afetados de maneira incondicional em termos de perspectiva futura. Isso surgiu, principalmente, em decorrência do fim da obrigatoriedade da contribuição sindical, que, em muitos casos, era um tipo de fonte de recursos praticamente única. É certo que muitos sindicatos foram afetados, ou seja, aqueles que agiam sem um conjunto de ações para os associados.

O que se mostra hoje é que, aqueles sindicatos que são conduzidos com visão e gestão profissionalizada, ganharam relevância e implementam o associativismo, seja empresarial ou de classes profissionais. É bem verdade que não podemos falar em sindicatos sem lembrar do excessivo número dessas instituições existentes no Brasil, segundo dados extraoficiais no total de 16 mil, conforme algumas fontes, ou de 17 mil de acordo com outras (70% de trabalhadores e 30% de empregadores), o que representaria o absurdo índice de 90% dos sindicatos existentes no mundo. Nos Estados Unidos, também conforme números não oficiais, seriam 130, na Inglaterra 170 e na vizinha Argentina 90.

Então, o conceito desse tipo de entidade não “morreu”, como muitos pensam, mas passa por um processo de amadurecimento. Aqueles sindicatos que prestam efetivamente serviços, que estão integrados com as demandas dos representados, crescem em relevância. Isso porque há uma série de necessidades que precisam ser atendidas, não somente quanto à representatividade legal. Nesse caso, em especial com a definição de que “o negociado se sobreponha ao legislado”, estão as negociações de âmbito coletivo, que fixam determinações de interesse direto das empresas, como as convenções e os acordos de trabalho.

As negociações entre as partes, como tradicionalmente faz o Sicom há mais de 40 anos, são relevantes diretamente para todas as empresas do comércio representadas em 25 municípios do Oeste de Santa Catarina. Significam uma forma eficaz de retorno às empresas da categoria, porque toda negociação séria não pode estar dissociada das condições das empresas.

O sindicalismo exercido pelos critérios da seriedade, com a justa aplicação dos recursos - dos associados ou gerados com a prestação de serviços -, perdurará. Sindicatos bem geridos significam que as empresas usufruem de retorno, pela representação e pelos serviços disponibilizados. Enfim, os benefícios compensam “custos”. Além disso, é preciso considerar os benefícios prestados indiretamente, em decorrência da representação sindical, como é o caso do trabalho de instituições como o Sesc e o Senac.

O Sicom, em seu papel de representação dos segmentos do varejo e atacado, independente da legislação, tem se voltado para as demandas do setor que representa. Ao mesmo tempo, age de forma planejada, para que tenha sustentabilidade, se mantenha e cresça. Por isso, é fundamental que, de outra parte, receba o respaldo do setor que representa em boa parte do Oeste Catarinense.

Marcos Antonio Barbieri,
presidente do Sindicato do Comércio da Região de Chapecó (Sicom)