A dor como astro principal

Quando a mundialmente famosa Lady Gaga cancelou seu show no Rock in Rio 2017 alegando sofrer de uma doença chamada Fibromialgia, muitos ficaram tristes por não poder assistir ao seu ídolo ao vivo. Contudo, grande parte das pessoas questionaram-se sobre o que se tratava este mal que afligia a cantora.

A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dor generalizada e crônica – mais de 3 meses de duração – que acomete tanto homens, mulheres e crianças. No entanto, diferente do que se vê em um paciente que se corta com uma faca ou que adquire uma infecção nas amígdalas, os sintomas não se correlacionam com o dano e a inflamação dos tecidos. Neste caso, são vários mecanismos do Sistema Nervoso Central (cérebro e medula) e Periférico (nervos) que diminuem a tolerância a dor. Ou seja, os estímulos (dolorosos ou não) são interpretados como dor e são mais intensos do que o esperado.

Comumente, a doença se acompanha de alterações psiquiátricas, como depressão e ansiedade, distúrbios do sono, cansaço e redução da memória e do raciocínio. Ademais, diversas outras patologias acompanham o espectro fibromiálgico, como enxaqueca, síndrome do intestino irritável, bruxismo, dispepsia funcional e disfunções sexuais.

A bagagem genética do paciente contribui com 50% do risco em adquirir a doença – em especial, a história familiar positiva, que aumenta em 8 vezes as chances a desenvolver. Os outros 50% devem-se a questões ambientais, como estresses intensos (divórcios, demissões, abusos sexuais, catástrofes) e doenças que geram dor persistente, como artrose, artrite reumatoide e lúpus. Sem surpresas, é sabido que Lady Gaga é portadora de Estresse Pós-Traumático, após ser estuprada ao 19 anos, e Lúpus Eritematoso Sistêmico.

Não há necessidade, porém, que situações extremas como a da cantora estejam em seu histórico. A fibromialgia acomete cerca de 2-3% da população mundial e, seja pelo maior conhecimento da doença por parte de médicos e pacientes, seja por causa do estressante estilo de vida contemporâneo, estes números não parecem que se reduzirão.

Tratamento adequado precoce e o entendimento por parte de paciente e familiares acerca da patologia são fundamentais para um desfecho satisfatório. O médico reumatologista é o mais indicado para a condução do caso, porém o tratamento é multidisciplinar, envolvendo fisioterapeutas, educadores físicos e outras especialidades médicas, a depender das manifestações.

Que nenhum fibromiálgico necessite cancelar shows em virtude da doença. Os pacientes e os fãs agradecem.

João Carlos Menta Filho
Reumatologista e Clínico Geral
CRM/SC 19531
RQE 15899 e 15898
Graduado pela Universidade Federal de Pelotas
Residência Médica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
e pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre
Rua Uruguai, 51 E, Clínica Polymed, Edifício Michelângelo – Chapecó -SC
Fone: 49 3323-2115

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